- Eu imagino os seus sentimentos nesse momento.
Não, não imagina.
- Ela era uma grande mulher – falou apressadamente limpando a boca engordurada – Com uma aparência mais velha que aparentava, mas ainda sim...
- Antônio,por favor – a mulher sussurrou envergonhada e sorriu amarelo por debaixo do guardanapo –
- Com licença – cuspi as palavras
-Ela era uma excelente mãe e uma mulher incrível, sinto muito. – senti uma mão pesada sobre meus ombros doloridos
-Uhum,com licença.
Eu estava desequilibrada. Senti a náusea ganhando força até minha garganta pensando em quantos comentários eu teria que suportar naquela tarde desgraciosa. Gente hipócrita, pequena. Ninguém se importava na verdade.Ninguém sentiria falta do seu perfume ,dos quadros feios que pintava,do cheiro de naftalina de suas roupas baratas,do seu sorriso triste,do seu abraço aconchegante,dos grampos de seu cabelo..
Eram todos cruéis e egoístas. Minhas mãos geladas,minha visão embaçada,a pressão na nuca não me deixavam raciocinar.Lembrei das discussões, lembrei dos choros,lembrei da indiferença,lembrei da raiva,lembrei do eu te amo não dito,lembrei dos cinco anos de distância,lembrei da minha ausência na hora de sua morte.Um nó de panos no estômago.Virei com a mão trêmula um copo de conhaque garganta abaixo.Eu sentiria falta do seu perfume ,dos quadros feios que pintava,do cheiro de naftalina de suas roupas baratas,do seu sorriso triste,do seu abraço aconchegante,dos grampos de seu cabelo..

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